SEXTAPE AMADOR
Com a popularização dos celulares com câmeras, houve um crescimento no número de sextapes caseiras — vídeos de sexo gravados pelos próprios casais. Mas nem todo mundo sabe fazer.
— Vamos gravar um vídeo pornô caseiro?
— Vamos. Você vai contratar uma atriz?
— É o quê?
— Nada. Nada.
Antes mesmo de começarem a filmar, eles já tinham se arrependido da ideia, mas nenhum dos dois queria dizer isso para não ser o estraga-prazer. Aqui, quase literalmente, já que se tratava de um sextape.
Eles estavam no papai e mamãe. Ele estava filmando.
— Não filma muito a minha barriga. Pega daqui para baixo.
— Mas aí pega a minha barriga.
— Antes a sua do que a minha.
Ele continua filmando. Só que praticamente só a barriga dele aparecia.
— Fala alguma coisa.
— Como assim?
— Fala alguma coisa para não ficar só um silêncio.
— A gente coloca o áudio na pós-produção.
— Que pós? Não tem pós. É um vídeo amador.
Silêncio.
— Fala.
— Mas é para falar o quê?
— Qualquer coisa. Só que está estranho assim.
— Tá.
Silêncio.
— Vai.
— Lembra que sábado tem o aniversário do filho do Júlio.
— Do que você está falando?
— Do aniversário do filho do Júlio. Eu te mandei no WhatsApp…
— Não. Por que você está falando isso?
— Você disse para eu falar qualquer coisa.
— Sexual. Xingar. Sei lá.
— Desculpa. Eu estou nervoso.
— Nervoso com o quê? Estamos juntos há 17 anos.
— Mas é a primeira vez que faço isso filmando.
Silêncio. Continuam. Do nada, ele tenta dar um tapa na cara dela, mas acerta a orelha.
— O que é isso?
— Vi num vídeo uma vez. Fica com mais ação.
— Estamos gravando um sextape, não um filme de luta.
— Desculpa.
— O cara deu um tapa na orelha da mulher no filme? Que filme que você anda vendo?
— Ele deu na cara. É que eu errei. Desculpa.
Ele retoma. Consegue entrar num ritmo.
— Isso. Assim. Mais rápido.
Ele acelera.
— Mais forte.
Ele aumenta a força. Dá três bombadas e para.
— Ué?
— A filmagem está ficando ruim. Não tenho coordenação para fazer rápido, forte e filmar.
— Dá aqui que eu filmo.
Ela toma a câmera da mão dele. Continuam na mesma posição, mas agora ela está no comando da câmera.
— Isso. Aperta meus peitos.
Ele vai com o braço.
— Está na frente da câmera.
— E agora?
— Ainda está.
— Agora?
— Esquece os peitos.
Ele desiste. Ela continua filmando.
— Nossa, você está com um pelo encravado.
— Sim. Onde está sua pinça?
— Na segunda gaveta do…
— Cadela!
— Que isso!
— Você tinha falado para xingar.
— Aquela hora.
— Desculpa.
— Tudo bem.
Silêncio. Ela volta a filmar. Ele entra no ritmo. Contudo, do nada, ela larga o celular na cama, com a câmera ligada, filmando o teto.
— O que aconteceu?
— Esse pelo encravado está me distraindo. Não vou conseguir continuar olhando para ele.
Depois disso, só escutamos barulhos de gaveta abrindo no banheiro.
— Mudamos de posição.
— Eu não vou deixar você filmar meu c… ACHEI!
Os passos dela voltando do banheiro. Subindo na cama.
— Estica as pernas.
— Vai com cuidado.
— Tá.
— Ai, ai, ai…
— Calma.
— Aiiii! Aiii!
— Vai ser rápido.
— Espera. Espera. Espera.
— Fica parado.
— Ai! Filha da puta!
Silêncio.
— Era assim que era para ter me xingado aquela hora.


Achei que estava lendo mas, na verdade, estava assistindo! 😆 ~quase uma voyeur~
Eu aqui.. um tripé, pq não usa um tripé? kkkkkkkkkkkkk mais depois so piora pqp